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«Ainda espero o amor
como no ringue o lutador caído
espera a sala vazia.»

José Tolentino Mendonça

praha doves

Depois dos acordes da Primavera o Verão: Recosto-me nesta cadeira olho a capela desta igreja. Desenho o teu rosto na minha mente, as feições, a tua boca entreaberta; o violino emaranha-se nas linhas de fumo do cigarro abandonado aceso no cinzeiro chinês; chasing the dragon, o óleo castanho desliza na prata; a vida aparada num espesso tapete; converso com a tua irmã e novamente desenho o teu rosto quando a Primavera volta no tema.
A seguir. esta banda de câmara ataca o Outono.

070921 Praha St.Nichloas Hussite Church

Saio. À rua, comprar tabaco, tomar um café. Na porta de entrada do prédio, paro. Ai que angústia. Inspiro, expiro. Se o coração dói? Dói-me. Respiro para o vidro da entrada. Lá fora é noite, o vidro embacia. Com o dedo desenho um coração, com o dedo escrevo um nome; o teu, L .
L !-penso, agora; neste mesmo momento.

Levanto-me. Tocaram à campainha? Não sei, abro a porta; digo tá(?) no intercomunicador, ninguém responde; vou à varanda, assobio; vejo as horas, 3 e 30 (a 27 não é, só pode ser L ).

[É de admirar que a cidade, as ruelas que percorri no sonho já sejam de geometria definida. Eram sempre diferentes, mas quando sonho, a cidade é sempre a mesma? Esta parece. Estou com um junkie num bairro alto, de ruas ainda mais apertadas. Vou comprar para consumir. Poderia ser uma banhada. O dealer serve-me bem e guardo os 'pingos' na boca. Eh pá, estou a ficar stoned. E lá chego à avenida.]

Levanto-me: tocaram à campainha?

071115

Vejo-a do outro lado da rua. Aponto-a, atravesso, toco-a.
-Onde vais?
-Vou para casa, respondo. E continuo: -A minha camisola?
-Fui lá no outro dia, e na semana passada ás três da manha.
-Duas vezes. Não, não estive lá.
-Estou a ressacar; queria ver se ia à Mouraria.
Como não digo nada, continua: -Passo lá logo à noite.
-Sim, sim, respondo.

071204

do outro lado da rua, da Palma