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L diz, com i, que eu nunca mais aprendo:
- À nossa e aos nossos,
saúde e paz.
O resto corre atrás.
O resto que se foda,
que a seguir vem mais, e mais, e mais, e mais.
i conta. É a ressacada morte do Faí, e i conta. Conta como depois de L ter acabado com o Faí, também ela se lhe entregou. As suas curtes, L fumando cavalo, ela e Faí no chamon. i conta a primeira vez que teve o período e logo a seguir não ter mais para nascer o seu primeiro filho. i conta, as suas tentativas de suícidio. i conta, L saiu para trabalhar, para arranjar produto.
Preocupamo-nos com L , fora já há quase três horas; conversamos na varanda, olhando as esquinas aonde poderá aparecer L. São quase seis da manhã quando decidimos ir procurá-la; e, então aparece. Diz à irmã para descer, não se importa comigo.
Vi L estes dois últimos dias. No primeiro, com a irmã. Engordou.
Mas, hoje, não.
Se a vejo, é a L fdp; se não a vejo, é a L não-hei-de-de-gostar-de-mais-ninguém.
080509rRessacaL
A três vozes:
À nossa e aos nossos
saúde e paz
o resto corre atrás
o resto que se foda
que a seguir vem mais
e mais e mais e mais e mais.
E i , L e eu bafamos os nossos cachimbos.
L diz;
- A minha irmã trazia um presente de natal para ti e tudo.
L apareceu e descemos juntos a rua em direcção à pensão. L vai às ‘compras’.
(Eu, não estive em Lisboa no Natal!)
Enquanto a L desaparece para a casa de banho, i começa uma conversa.
-A L não sente a branca como nós, não achas?
Não sei que dizer; mas penso, e digo:
-Sim, o cavalo é como um tapete, uma almofada. Com a branca equilibra, não sei.
-De certeza que nem tem um flash.
-Não sei.
[Nesse dia, haveremos de dar um bafo ou dois do cavalo da L ; i, inclusive um risco ou dois.
i rapidamente andará a consumir quase uma semana, com a irmã até ter ressacas, quando L a recambia para Camarate.
-Já andava aí a fumar com toda a gente. -L diz.]
_ r , o Faí morreu! O meu menino morreu.
É assim, e, sem mais, que aparece L ; L está a chorar. Estendo o meu ombro, mas a L está estática, não me abraça.
Com L , vem a irmã, e uma chupadita que eu nunca vi. É esta que diz qualquer coisa, como:
_ Não tens um calmante?
Não tenho; e, enquanto L e esta última preparam a branca, a chinesa; eu faço um chá de menta, depois de terem rejeitado os meus químicos, o ben-u-ron, aquelas saquetas para a dor de dentes…
O modo como o Faí morreu é-me um tanto incompreensível. De moto, em sentido contrário(?), contra um automóvel. «Partiu-se todo».
[ Nos dias a seguir, compreendo melhor. Sem capacete (melhor, com o boné na cabeça), a estrear, a experimentar a mota levantada nesse dia, acelerando Antero de Quental acima.
Fora dos seus domínios, zona J Chelas, onde era um maiorzinho. ]
Algo como, «andava atrás do Miguel, que lhe devia dinheiro; tinha visto a Vera e tinha dito para ninguém lhe tocar; teve um flash, morreu feliz».
L continua… « r , morreu o meu menino; morreu o meu menino.», e, aspira já o fumo da castanha que escorre na prata.
A chupadita entretanto já saiu, e, a L prepara agora a branca, que partilhará com i.
