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L :
- Tenho que ver o agente Guido!
Pergunto porquê, mas não responde. Continua:
- Houve uma altura que ia todos os dias à Super-Esquadra. Quando chegava já tinha um carro-patrulha à espera.
(- Porquê?)
- Quando chegava o agente Guido dizia: «Já não te posso ver, rapariga. Até já sonho contigo.»
L diz:
-Eu venho já. Até já!
- Muita merda, respondo.
É Domingo para Segunda; não me parece um dia forte, por isso, o reforço na expressão.
L :
- Dá-me aí 50 cêntimos! Não tens 50 cêntimos, trocados?
L está agarrada ao telefone. (- Art não atende.)
- Vai-lhe ligando, manda-o ir ao Técnico. E saí.
L já tinha ligado do telemóvel do Otário, mas a chamada tinha ido abaixo. Art, no táxi tinha passado com a Cassandra, mas não a atendia, agora.
-Até já!
Respondo: -Até já!
(Existe uma mudança subtil nesta despedida.)
-Vai à merda! -Digo, baixinho e receoso; por isso.
0801204
L diz:
- ‘Tou a matar piolhos; tu não tens para a troca!
- A mim só me apetece comer palha e dar coices.
- A mim, apetece-me cobrir.
- Cobrir?
- Sim; os cornos com uma manta.
L diz:
- Queres dar um bafo?
- É tão pouco, só resta isso? Só deste dois bafos.
- Um! Também por oito euros.
(Já deu dois, mas não discuto. Quero é que se sinta bem.
- A seguir vou a Chelas, vais ver o que são contos de cavalo e branca.
Acaba de fumar, tira dois cigarros.
- Eu já venho.
Não digo nada; ela sai.
0802040145
L diz:
-Estou aí com o pai da minha filha, estou a ver se fico boa.
- O de Mafra?
- Não, do Cartaxo. Ficou lá em baixo à minha espera.
…
L diz: -O Art agora tem uma castanha muita boa, já não é da mesma.
Vi-a, parei o Honda; veio ter comigo, fumámos um cigarro, ela apoiada na porta, aberta.
-Se tivesse quinze euros, depois ele fiava-me uma branca.
(Silêncio.)
A ideia dela é, eu adiantar-lhe os quinze euros, damos uns bafos de branca.
(Silêncio, também eu.)
(Silêncio prolongado.)
(Um dia deste vou-lhe dizer que ultimamente só se faz ao banho.)
Falamos de algo mais, se já voltou ao Pantas, que a vi ontem às quatro, que fiquei com a impressão que queria descansar á em casa. eu a arrastar a asa, ela no banho.
Crava-me mais um cigarro, que passa lá por casa mais tarde, que a mande à merda. Nada de novo.
07122004
L diz: -Vai-me dar sorte!
Tinha-lhe dado um perfume ‘de rosas’; um dos poucos que andavam e restavam pela casa. O que menos gostava! (Uma inconsciente maneira de um vai-à-merda? Pelo menos fez a vez)
L diz: -Viu como eu estava nem aceitou os cinco euros. Quando cheguei já não estavas.
-Eu disse que só esperava meia hora, não apareceste!
-Eu disse que voltava. Até tive que usar uma prata dum maço de cigarros.
-L, dizes sempre que voltas. Não voltas!
L diz: -A Cristina estava a tocar à campainha! Eu mal toquei abriste logo.
Três da manhã; só com a t-shirt vestida de pijama. Estremunhado.
L diz:
-Queres?
Respondo que não com a cabeça. Prá’i há duas semanas que não fumo. Das duas últimas vezes ela não partilhou; fiquei fodido. Também já é a terceira vez que rejeito; desta, mais ou menos naquela que só depois do Natal. (Isto apesar do corte , contou ela, com o Pantas, que com ela a ressacar não partilhou um sub’tex).
Vaga impressão: Gesto errado.
