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L no meio da branca, da castanha, recita declarações de amor. Coisas como que, formatadas, da adolescência, da escola, onde agora me encaixa.
E pára, como que, me espera e, recomeça. Procura uns postais, volantes, que andam pelas estantes e escreve.
Também pego num. Por um momento, espero que, da minha pesada cabeça, coquinada, surja algo.
Por fim, desenho, em estilo gráfico, uma oferta de um balão em forma de coração, ele e ela, com camisolas a L e r estampadas, e um balão das falas: «Há muitos corações, mas o meu só a ti pertence, L!».
[Outra branca noite, colorizo a ideia; r meets L, r loves L.]
L diz: -Já vou!
L tinha dito: -Estou tão mal.
Eu tinha feito o almoço. L tinha ficado de ir trabalhar às 6 e 30, mas o despertador tocou, ela desligou e voltou para a cama, apesar de ter ficado na ponta.
L está de ressaca; e eu, à espera que caia para mim. O almoço, bacalhau com grão, arrefece na sala.
L diz: -Já vou!
L tinha dito: -Estou tão mal.
Eu tinha feito o almoço. L tinha ficado de ir trabalhar às 6 e 30, mas o despertador tocou, ela desligou e voltou para a cama, apesar de ter ficado na ponta.
L está de ressaca; e eu, à espera que caia para mim. O almoço, bacalhau com grão, arrefece na sala.
080118
-Perguntas quem está a vender e sobes lá acima.
Preparei um banho de sais e gel de alfazema e, enquanto L se lava vou à Mouraria.
Chove. Vou de carro, consigo estacionamento, entro pelos becos.
-Quem está a vender?
-Ultima porta à direita. Diz, baixinho, nem o percebi à primeira, o vigia.
Eu já tinha sido ultrapassado por um apressado; fico em fila.
Quase oito da noite, hora de mudança de turno, dos vendedores. «Depois das oito o cavalo não vale nada», disse L.
(Um cachorinho buldogue à entrada do beco. Esboço uma festa. Aproximo-me.)
-Uma de cavalo.
-De quanto?
-De dez.
Dou a nota ao acompanhante, e recebo uma pequena quantidade.
(-Levas esta que é boa, que tu não estrilhas.)
Estranhamente o pequeno invólucro de plástico tem a forma de um coraçãozinho.
Em casa, na sala, enquanto recebo um telefonema, L faz-me sinal indicando que é de boa qualidade.
Transporto um tabuleiro com cereais com leite e dois fofinhos à cama, onde está L ; é o pequeno almoço.
-És uma rainha, digo. Sim, porque princesa já muitos te chamaram.
L ri.
080118
L diz:
-Eu venho já. Até já!
- Muita merda, respondo.
É Domingo para Segunda; não me parece um dia forte, por isso, o reforço na expressão.
L diz, com i, que eu nunca mais aprendo:
- À nossa e aos nossos,
saúde e paz.
O resto corre atrás.
O resto que se foda,
que a seguir vem mais, e mais, e mais, e mais.
…
(Bolas! E eu a pensar que ias ficar comigo!).
…
L : -Quem está a vender até às oito é o Ruh; depois já não sei.
Vamos à Mouraria; faço anos. Prometi-lhe que lhe tirava a ressaca, e junto vem uma de branca:
-Esta é da farmácia. (Na Mouraria a branca não é “cozida” e, esta, depois do amoníaco, fica em pasta, papa. Coca química.)
Dá uns quatro bafos médios, dez euros.
…
Passou; encontro num tubo de prata um resto de cavalo. (Chasing the dragon.)
Queimo-o um pouco mal, tusso e quase vomito ao inalar.
Só, estou só.
L não diz:
-Parabéns!
E, no fim da noite, sou eu e um cálice de Porto.
080201
Emi conta: – Duas vezes olhei para ti e estive para perguntar «-Quem és tu?». Muitas vezes fala; que eu não a conheço, que nunca a conheci, que isto, que aquilo; mas, agora,neste instante, nesta insone conversa, respondo: -Sou um merdas!

