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L diz: -Já vou!
L tinha dito: -Estou tão mal.
Eu tinha feito o almoço. L tinha ficado de ir trabalhar às 6 e 30, mas o despertador tocou, ela desligou e voltou para a cama, apesar de ter ficado na ponta.
L está de ressaca; e eu, à espera que caia para mim. O almoço, bacalhau com grão, arrefece na sala.
L diz: -Já vou!
L tinha dito: -Estou tão mal.
Eu tinha feito o almoço. L tinha ficado de ir trabalhar às 6 e 30, mas o despertador tocou, ela desligou e voltou para a cama, apesar de ter ficado na ponta.
L está de ressaca; e eu, à espera que caia para mim. O almoço, bacalhau com grão, arrefece na sala.
080118
-Passo por aqui e vais comigo à Praça da Alegria.
-L , é segunda, depois não arranjo lugar para o carro.
-A esta hora, alguém te tira o lugar?
…
-Pode ser que arranje dinheiro para o táxi.
-Passa por aí, digo.
Mais tarde, penso, que como está a chover, mesmo um mau lugar, talvez não fosse multado amanhã. Com chuva a polícia de trânsito tem mais que fazer.
080118IrmãosPepe
L : -Eh! Eh!
Eu ,de carro a descer a rua procurando um lugar para estacionar; L , a subir a rua (com o “pai da minha filha” dirá).
-Estás em casa?
-Sim!
…
Mais tarde em casa, um e outro em reencontro, “com histórias de amor eterno “. (Há mais de uma semana que não nos víamos.)
…
Cena seguinte: Abraços, beijos, amor terno. Não!
Fumam crack e cavalo, implodindo em cada um dos seus cérebros; um buraco negro e a sua gravidade infinita.
-Até já!
Respondo: -Até já!
(Existe uma mudança subtil nesta despedida.)
-Vai à merda! -Digo, baixinho e receoso; por isso.
0801204
L diz:
- Queres dar um bafo?
- É tão pouco, só resta isso? Só deste dois bafos.
- Um! Também por oito euros.
(Já deu dois, mas não discuto. Quero é que se sinta bem.
- A seguir vou a Chelas, vais ver o que são contos de cavalo e branca.
Acaba de fumar, tira dois cigarros.
- Eu já venho.
Não digo nada; ela sai.
0802040145
Mais um dia. dificuldades em levantar, dificuldades em dormir. Em que penso? Em L , em mim, no Natal.
071218
L diz;
- A minha irmã trazia um presente de natal para ti e tudo.
L apareceu e descemos juntos a rua em direcção à pensão. L vai às ‘compras’.
(Eu, não estive em Lisboa no Natal!)
L já não aparecia há três quatro dias; e, L diz que fumava uma branca. L , como que fala com ela mesma e instala o silêncio. Como que espera por mim, que eu vá atrás. Um ligeiro incómodo; como que, faz beicinho, fica triste, resolvam-me este problema; um truque (?)!
Cedo, e arranjo 15 euros. L desaparece.
Toca duas vezes a medo.
Quando abro a porta diz: – Então, ó borracho!
(Disse-lhe que, para mim, era a coisa mais linda do mundo; mas com ben-u-rons e cecrisinas, o mundo muda.)
…
Como mudei a sala, repara.
Eu digo: -A ideia foi tua.
Mas, tem mais ideias.
-Quando mudás-te?
-Hoje.
-Só visto!
-Sim.
-G’anda maluco.
Mas, mete-se na cozinha e começa a arrumá-la.
(Eu estou cheio de frio, não largo o aquecedor, estava a dormir, já não a esperava; mas, algo está diferente, não foi buscar o banco ou a mesa e preparou o consumo.)
Lava a loiça, abre o frigorifico
-Sabes porque as batatas estão negras? Tirás-te a água às batatas!
-Não tirei!
Não tirei. Mas, no frigorifico, cortadas aos cubos para fritar, absorveram alguma água e na parte de cima enegreceram, queimadas pelo frio, talvez.
-Pronto! Já tens a cozinha arrumada.
Vem para a sala e fuma, da prata, uns restos de castanha.
-Hoje ainda não fumei nenhuma branca.
Parece um lamento. Eu, continuo calado, pois não tenho dinheiro, e o que ela afirma, parece-me uma indirecta, se eu tenho, se quero…
-Estou com uma constipação!
Não o notei. A minha cabeça começa a pensar na branca. Começo a pensar que vi 15 euros em qualquer lado.
…
-Não tens mais uns trocos, assim ficava a dever e trazia uma de branca e uma de cavalo.
Vou aos bolsos das calças e encontro mais um euro; num copo de vidro de iogurte, mais.
…
Não mais apareceu.
080103
Toca duas vezes a medo.
Quando abro a porta diz: – Então, ó borracho!
(Disse-lhe que, para mim, era a coisa mais linda do mundo; mas, com ben-u-rons e cecrisinas, o mundo muda.)
…[Telefonei, atendeu a Dona Teresa, agradeci os bolos de Natal. L aparece com o final duma linha, na prata. ]
L diz:
- Ãehn, minha mãe do céu! Ãehn, todos os santos me ajudem. Ãeh minha mãe, estou com uma ressaca.
Fujo para a cozinha mas . segue-me:
- Não tens uns trocos?
Arranjo-lhe uns trocos.
Entretanto, enche três isqueiros com gás, talvez das suas amigas na pensão, Ana e Cristina, e leva-os.
